
PEREGRINAR
A SHIRDI
Rumo ao coração de Baba

PEREGRINAR
A SHIRDI
Ao coração de Baba
Shirdi e o Sentido da Peregrinação
“Se Sai Baba está em toda parte, por que ir até Shirdi?”
Essa é uma pergunta antiga entre devotos. O próprio Baba afirmava não estar limitado a um corpo ou a um lugar específico. E ainda assim, milhões de pessoas continuam sendo atraídas à pequena vila onde Ele viveu, ensinou, realizou suas leelas e estabeleceu com seus devotos uma relação de rara intimidade.
Há um antigo paradoxo nas escrituras sagradas: o Divino está presente em toda parte e em todos os seres e, ainda assim, os buscadores são incentivados a peregrinar, a mover-se em direção a lugares de grande potencial espiritual. Essa tensão não é um problema a ser resolvido. É uma chave para compreender algo essencial sobre a experiência humana da devoção.
As escrituras afirmam que certos lugares tornam-se espiritualmente significativos pela presença daqueles que ali viveram, oraram e realizaram suas sadhanas. A força de grandes tapas deixaria impressões sutis nesses espaços, influenciando aqueles que deles se aproximam posteriormente. Este é possivelmente um dos motivos pelos quais certos lugares continuam atraindo mestres, ascetas e peregrinos através dos séculos.
Shirdi é um desses lugares.
Foi ali que Sai Baba viveu grande parte de sua vida pública, reuniu hindus e muçulmanos em uma mesma devoção, realizou muitos dos milagres que atravessariam gerações de devotos e pronunciou muitas de suas declarações mais conhecidas. Foi também a partir de Shirdi que Baba estabeleceu um legado espiritual singular, marcado por formas pouco convencionais de ensinar, cuidar e se relacionar com aqueles que o buscavam.
No islamismo e no hinduísmo, a peregrinação é compreendida simultaneamente como externa e interna. A primeira conduz o buscador pelos lugares ligados ao mestre; a segunda o convida a reconhecer essa mesma presença em toda a existência. Não são dois caminhos separados, mas dois movimentos do mesmo caminho.
Baba dizia que simplesmente permanecer em Shirdi com sinceridade de propósito já constituía uma grande sadhana. Hoje, a pequena vila no interior do estado de Maharashtra tornou-se um dos maiores centros de peregrinação da Índia, recebendo diariamente dezenas de milhares de pessoas vindas de toda a Índia e de diferentes partes do mundo.
Esta sugestão de peregrinação nasce de experiências pessoais em viagens a Shirdi, de obras já escritas sobre o assunto, e de uma convicção: o percurso sugerido aqui não é exatamente um tour, palavra cuja raiz significa girar, circular e retornar ao mesmo ponto do qual se partiu. Peregrinar é outro movimento. É o movimento do peregrinus, aquele que atravessa campos, fronteiras, oceanos, e se deixa atravessar pelo mistério, pelo que lhe é desconhecido.
Ir a Shirdi implica cruzar fronteiras, internas e externas, a um só tempo. Esta é uma viagem para tocarmos Baba e sermos tocados por Ele por meio dos lugares ligados à Sua vida e à de seus grandes devotos. Uma peregrinação ao coração de Shirdi. Uma peregrinação ao coração de Baba.
