
em honra a Sai Baba
Qawwali
Este qawwali (canto devocional da tradição sufi) constitui um raro testemunho da devoção a Sri Sai Baba expressa em linguagem sufista. Sua autoria é desconhecida, mas o texto foi preservado por Abdul Baba, discípulo que serviu Shirdi Sai Baba por cerca de trinta anos em vida e permaneceu ligado a Ele por aproximadamente trinta e cinco anos após Seu Mahasamadhi — totalizando mais de sessenta anos de devoção ininterrupta.
O canto exalta Baba como santo realizado e detentor de extraordinários poderes espirituais, sendo Abdul Baba apresentado no canto como seu murid e servo. Ao longo dos versos, entrelaçam-se conceitos centrais do sufismo: Baba é celebrado como o próprio Amado Divino, sua presença é descrita como um darbar (assembleia ou corte espiritual) e evoca a figura do qalandar (dervixe errante, liberto das convenções do mundo).
Publicado em inglês por Marianne Warren (1) como parte do manuscrito de Abdul Baba intitulado “Saibaba Manuscript”, este texto oferece uma rara janela para a forma como Sai Baba era compreendido e reverenciado no círculo dos faquires e discípulos de sua tradição espiritual.
Que este canto seja recebido não apenas como testemunho histórico de uma tradição, mas também como louvor e oração: uma forma de recordar Sai Baba, voltar o coração a Ele e contemplar a presença Daquele que nos inspira amor, confiança e entrega no caminho para o Divino.
Nota:
1.Unravelling the Enigma: Shirdi Sai Baba in the Light of Sufism, de Marianne Warren. Sterling Publishers, 2000.
QAWAALI
Em honra a Sai Baba
Quem pode cantar os louvores do nosso Sai Baba?
Todo homem é servo de Sai Baba.
Tanto os espíritos quanto os homens são cativados por Sai Baba.
Deus é o nosso Amado e toma para Si o nome de Sai Baba.
Nos dois mundos ressoa o nome de Sai Baba.
Sai Baba encarna os Vedas, assim como Allah.
Prestamos a Sai Baba todas as honras, saudando-O e curvando-nos respeitosamente diante Dele.
Sai Baba atua em dois planos: em Shirdi e em todo o mundo.
Sai Baba é Supremo tanto no mundo presente quanto no vindouro.
O universo inteiro vibra com Sai Baba.
Se alguém disser: “Não consigo ter um filho”, Sai Baba pode conceder-lhe uma criança.
Tal é a grandeza de Sai Baba.
Mesmo que não esteja destinado a você receber esse fruto [filho], o que quer que Sai Baba diga acontecerá.
É difícil compreender seus mistérios profundos, mas essa é a sua idiossincrasia.
Sua fala é semelhante à de Maulana Gausul Ajaya Dastgir (1).
Aquele a quem ele entrega o chillim (2) (cachimbo), esse pode comandar como ele [isto é, por sua bênção, também pode realizar milagres].
Ninguém compreende seus aspectos exteriores, então como poderiam compreender suas qualidades internas ocultas?
Misteriosos são os caminhos da natureza.
Que capacidade tem Amir Saheb (3) para falar das qualidades do nosso Sai Baba?
O darbar (4) de Sai Baba é o de um qalandar (5).
Abdul é Seu servo e é guiado por Ele como seu murshid (6).
Nota:
1.Em pesquisas, não foi encontrada qualquer referência que pudesse nos indicar quem foi Maulana Gausul Ajaya Dastgir.
2.Chillim é um tradicional cachimbo e era um dos poucos pertences que Baba dispunha. Ele frequentemente o preparava, acendia, fumava lentamente e oferecia aos visitantes ou devotos como um instrumento de cura espiritual e neutralização de carmas.
3.Amir Shakkar Dalal, referido frequentemente com Saheb, foi um devoto muçulmano de Sai Baba e o idealizador da procissão do sandal incorporada às festividades de Rama Navami em Shirdi, iniciadas em 1897. A realização conjunta da procissão muçulmana do sandal e da procissão hindu das bandeiras tornou-se um símbolo da convivência harmoniosa entre hindus e muçulmanos promovida por Sai Baba. Sua história é relatada nos capítulos 6 e 22 do sagrado Sri Sai Satcharitra.
4.Darbar (ou durbar) é um termo derivado do persa (do persa: دربار , romanizado: darbār ) que se refere à corte nobre de um rei ou governante, ou a uma reunião formal onde o rei realizava todas as discussões relativas ao Estado. Era usado no sul da Ásia para designar a corte de um governante ou o contingente feudal. Um darbar pode ser tanto um conselho de Estado feudal para administrar os assuntos de um Estado principesco, quanto uma reunião puramente cerimonial, como se tornou cada vez mais comum durante o domínio britânico na India.
5. Qalandar é um título e uma categoria espiritual da tradição islâmica sufista, historicamente utilizada para designar místicos ascetas e itinerantes que renunciavam às convenções sociais e buscavam a união direta com o Divino por meio de comportamentos não convencionais, frequentemente antinomianos (isto é, que desafiavam normas religiosas e sociais estabelecidas). O termo carrega conotações específicas e está associado a uma linhagem de figuras notáveis nos mundos persa, sul-asiático, centro-asiático e anatólio.
6. Murshid é um termo árabe que significa “aquele que dá orientação ou guia”.
QAWAALI
em honra a Sai Baba
Quem pode cantar os louvores do nosso Sai Baba?
Todo homem é servo de Sai Baba.
Tanto os espíritos quanto os homens são cativados por Sai Baba.
Deus é o nosso Amado e toma para Si o nome de Sai Baba.
Nos dois mundos ressoa o nome de Sai Baba.
Sai Baba encarna os Vedas, assim como Allah.
Prestamos a Sai Baba todas as honras, saudando-O e curvando-nos respeitosamente diante Dele.
Sai Baba atua em dois planos: em Shirdi e em todo o mundo.
Sai Baba é Supremo tanto no mundo presente quanto no vindouro.
O universo inteiro vibra com Sai Baba.
Se alguém disser: “Não consigo ter um filho”, Sai Baba pode conceder-lhe uma criança.
Tal é a grandeza de Sai Baba.
Mesmo que não esteja destinado a você receber esse fruto [filho],
o que quer que Sai Baba diga acontecerá.
É difícil compreender seus mistérios profundos,
mas essa é a sua idiossincrasia.
Sua fala é semelhante à de Maulana Gausul Ajaya Dastgir (1).
Aquele a quem ele entrega o chillim (2),
esse pode comandar como ele
[isto é, por sua bênção, também pode realizar milagres].
Ninguém compreende seus aspectos exteriores,
então como poderiam compreender suas qualidades internas ocultas?
Misteriosos são os caminhos da natureza.
Que capacidade tem Amir Saheb (3) para falar das qualidades do nosso Sai Baba?
O darbar (4) (assembleia/corte) de Sai Baba é o de um qalandar (5).
Abdul é Seu servo e é guiado por Ele como seu murshid (6).
Nota:
1.Em pesquisas, não foi encontrada qualquer referência que pudesse nos indicar quem foi Maulana Gausul Ajaya Dastgir.
2.Chillim é um tradicional cachimbo e era um dos poucos pertences que Baba dispunha. Ele frequentemente o preparava, acendia, fumava lentamente e oferecia aos visitantes ou devotos como um instrumento de cura espiritual e neutralização de carmas.
3.Amir Shakkar Dalal, referido frequentemente com Saheb, foi um devoto muçulmano de Sai Baba e o idealizador da procissão do sandal incorporada às festividades de Rama Navami em Shirdi, iniciadas em 1897. A realização conjunta da procissão muçulmana do sandal e da procissão hindu das bandeiras tornou-se um símbolo da convivência harmoniosa entre hindus e muçulmanos promovida por Sai Baba. Sua história é relatada nos capítulos 6 e 22 do sagrado Sri Sai Satcharitra.
4.Darbar (ou durbar) é um termo derivado do persa (do persa: دربار , romanizado: darbār ) que se refere à corte nobre de um rei ou governante, ou a uma reunião formal onde o rei realizava todas as discussões relativas ao Estado. Era usado no sul da Ásia para designar a corte de um governante ou o contingente feudal. Um darbar pode ser tanto um conselho de Estado feudal para administrar os assuntos de um Estado principesco, quanto uma reunião puramente cerimonial, como se tornou cada vez mais comum durante o domínio britânico na India.
5. Qalandar é um título e uma categoria espiritual da tradição islâmica sufista, historicamente utilizada para designar místicos ascetas e itinerantes que renunciavam às convenções sociais e buscavam a união direta com o Divino por meio de comportamentos não convencionais, frequentemente antinomianos (isto é, que desafiavam normas religiosas e sociais estabelecidas). O termo carrega conotações específicas e está associado a uma linhagem de figuras notáveis nos mundos persa, sul-asiático, centro-asiático e anatólio.
6. Murshid é um termo árabe que significa “aquele que dá orientação ou guia”.