
Sri Sainath Stavan Manjari
Imagem: devoto Das Ganu
O Sri Sainath Stavan Manjari é um dos mais importantes hinos devocionais dedicados a Shirdi Sai Baba. Foi composto por Ganpat Rao Dattatreya Sahasrabuddhe, devoto amplamente conhecido como Sri Das Ganu Maharaj (imagem acima), poeta e kirtankar que desempenhou papel fundamental na difusão da vida, dos ensinamentos e da devoção a Sai Baba em Maharashtra e em outras regiões da Índia. Por meio de seus escritos e de suas peregrinações, durante as quais entoava kirtans sobre os grandes santos da tradição bhakti, Das Ganu tornou-se um dos principais divulgadores da mensagem de Baba ainda em vida do Mestre.
O hino foi concluído em 9 de setembro de 1918, durante o festival de Ganesh Chaturthi, apenas trinta e seis dias antes do Mahasamadhi de Sai Baba, como registram os versos 159 e 160 do próprio louvor. Concluído na cidade de Maheshwar, às margens do rio Narmada, o Stavan Manjari é transmitido até hoje todas as manhãs em Shirdi, após o abhang "Shirdi Majhe Pandharpur", também composto por Das Ganu Maharaj.
Segundo informações amplamente difundidas no meio devocional, Das Ganu posteriormente apresentou o hino a Baba na Dwarkamai, onde teria recebido Sua aprovação e bênção (até o momento, porém, não encontramos uma fonte primária para esse relato).
Ao longo de seus 163 versos, o Stavan Manjari reúne louvor, oração e ensinamentos espirituais. Das Ganu apresenta Sai Baba como o próprio Sadguru, identificando-O com as mais elevadas manifestações do Divino e exaltando Sua compaixão, sabedoria, onipresença e poder de conduzir o devoto à libertação. Ao mesmo tempo, o autor expressa, em tom profundamente humilde, sua entrega aos pés de Baba, reconhecendo-se incapaz de descrevê-Lo plenamente.
É dito que, após ouvir a recitação do hino pela voz do próprio Das Ganu Maharaj, Sai Baba declarou: "O que não alcançarão os devotos que recitarem ou ouvirem este stotra?". Segundo a tradição, Baba teria então abençoado a obra e afirmado que aqueles que a recitassem ou ouvissem com fé e devoção seriam libertos das três espécies de aflições: Adhidaivika, Adhibhautika e Adhyatmika (1).
Após mais de 100 anos, o Sri Sainath Stavan Manjari permanece como uma das mais belas expressões de amor e entrega a Sai Baba. A presente tradução foi realizada a partir da versão em inglês traduzida do marathi por Zarine Taraporevala, editada pela Dra. Indira Kher, ex-editora executiva da edição inglês-hindi da revista Shri Sai Leela, e publicada pela Shree Saibaba Sansthan Trust, organização responsavel pela gestão dos templos e do legado de Baba em Shirdi. A tradução buscou preservar, tanto quanto possível, o sentido, o tom devocional e a estrutura do texto. As notas de rodapé destinam-se a esclarecer referências históricas, culturais e religiosas que possam não ser familiares ao leitor de língua portuguesa.
Que sua recitação seja recebida como uma oportunidade de recordar o Sadguru, fortalecer a fé e voltar o coração Àquele que continua a conduzir Seus devotos no caminho para o Divino.
Nota:
(1) Adhyatmika são sofrimentos que surgem de si mesmo: tanto os físicos (doenças, dores, limitações do corpo) quanto os mentais (medo, ansiedade, tristeza, apego, raiva, confusão, sofrimento emocional). Adhibhautika são sofrimentos causados por outros seres (bhūtas): as dificuldades provocadas por pessoas, animais, insetos ou qualquer outro ser vivo (conflitos, agressões, perdas causadas por terceiros, acidentes provocados por outros etc). E Adhidaivika são sofrimentos provenientes das forças da natureza ou de causas além do controle humano (daiva): secas, enchentes, terremotos, tempestades, epidemias, calor e frio extremos e outros acontecimentos atribuídos às forças cósmicas ou ao destino.