
AARTIS
A palavra aarti designa uma antiga forma de adoração de origem hindu, na qual a luz é oferecida ao Divino enquanto hinos devocionais são entoados ao som de sinos, címbalos, tambores, palmas e outros instrumentos. Trata-se de uma das expressões mais conhecidas de Bhakti, a devoção amorosa a Deus.
Na devoção a Shirdi Sai Baba, os aartis ocupam um lugar especial. Já durante a permanência de Baba em corpo físico, o aarti fazia parte da vida cotidiana dos devotos e dos momentos de adoração realizados na mesquita. Ao longo do tempo, essas composições tornaram-se uma das expressões mais conhecidas e duradouras da devoção a Ele, sendo cantadas diariamente por gerações de devotos. Muitos dos versos preservados até hoje remontam ao período de Baba e foram compostos por devotos ligados a Shirdi, entre eles Madhavrao Adkar, Das Ganu Maharaj e J. K. Bhishma, cujas palavras continuam ecoando nos aartis entoados diariamente pelos fiéis.
Os textos que acompanham os aartis de Shirdi destacam a importância da Bhakti como um dos caminhos no hinduísmo mais diretos para Deus. Nessa tradição, a devoção ao Guru ocupa um lugar central: ele não é visto apenas como um mestre espiritual, mas como a própria manifestação da Graça Divina, capaz de conduzir o devoto da ilusão à realização da Verdade, à Iluminação.
Durante Sua permanência em Shirdi, Baba inicialmente não incentivava formas ritualizadas de adoração dirigidas à Sua pessoa. Com o passar do tempo, porém, passou a aceitar as demonstrações sinceras de amor e devoção daqueles que O procuravam. Flores, incenso, música, cânticos e aartis foram gradualmente incorporados à vida espiritual da aldeia, tornando-se parte da convivência diária entre Baba e Seus devotos.
O culto congregacional por meio dos aartis começou ainda durante a vida de Baba. O Madhyan Aarti, realizado ao meio-dia, já era praticado por volta de 1909. Mais tarde, o Shej Aarti passou a ser cantado após as procissões da Chavadi. Com o tempo, os aartis consolidaram-se como parte inseparável da tradição devocional de Shirdi e continuaram a ser preservados após a Mahasamadhi de Baba.
Ao todo, são quatro os aartis entoados ao vivo diariamente em Shirdi, cada um correspondendo a um momento do dia (além do Bhupali Aarti, um cântico mais curto, tocado em caixa de som às 5:00 da manhã e cuja primeira parte é cantada por uma voz feminina):
Kakad Aarti (do marathi kakad, "manhã"): realizado ao amanhecer, por volta das 5:15h, é o Aarti do despertar, com o qual os devotos acordam Baba e iniciam o dia sob Sua bênção.
Madhyan Aarti (madhyan, "meio-dia"): acontece ao meio-dia e marca o momento em que o sol está no ponto mais alto do céu.
Dhoop Aarti (dhoop, "incenso"): realiza-se ao pôr do sol, por volta das 18h, e leva esse nome porque nesse horário se oferece incenso a Baba.
Shej Aarti (shej, "deitar"): é o cântico da noite, por volta das 22h, com o qual os devotos preparam Baba para descansar.
Mais do que simples hinos de louvor, os aartis são uma oportunidade de voltar o coração para Baba. Ao serem cantados, recordam Seus ensinamentos, Sua presença e o vínculo vivo que continua unindo-O aos Seus devotos. Por essa razão, permanecem sendo entoados diariamente em Shirdi e em incontáveis lares ao redor do mundo.
Abaixo, disponibilizamos cada um dos aartis, acompanhados de transliteração e tradução em português. Que estes aartis possam ser lidos, escutados e cantados com amor, reverência e entrega, inspirando em cada devoto a mesma fé e devoção que floresceram na companhia de Sai Baba em Shirdi.
Nota:
1.Shri Sainath Sagunopasana, organizado por K. J. Bhishma (versão em inglês traduzida por Zarine). Shri Saibaba Sansthan Trust, 19a edição, 2024.
OS 4 PRINCIPAIS AARTIS
[EM BREVE]
OS 4 PRINCIPAIS AARTIS
[EM BREVE]